domingo, 13 de agosto de 2017

Pequenos prazeres





Filipe Valentim

Ir a uma aldeia portuguesa ver um amigo de infância tocar.
Chegar com o toque do sino e ficar sentada à porta da igreja, como se o concerto não estivesse mesmo a começar.
O Tiago Pereira a chamar-nos, afinal o concerto começava a horas e nós, as supostas miúdas da primeira fila, ainda a acabar a cerveja das 15h e dos 38º.
Não se podia beber cerveja dentro da igreja (apenas o padre tem direito a beber vinho), mas entrámos por uma porta lateral, com a cumplicidade do Tiago e de Jesus. Tal como o Afonso Cruz, tenho a certeza que Jesus Cristo, para além de vinho, bebia cerveja.

Emocionar-me com o concerto do Filipe e ter, à saída da igreja onde tocou, este presente.
Abençou-se um senhor na entrada da capela e o Filipe pôde tocar.
A seguir desmontou-se o palco e preparou-se o altar para a missa de domingo.
Foi bom. Tudo. Até o som.

Batemos palmas aos Les Saint Armand, como fãs de primeira linha, numa espécie de chegada de maratonistas à meta. Alguns do grupo acharam graça, outros confessaram-se "cegos pela fama" e nem nos viram. À sua frente, apenas cifrões, notas, público em extâse - hipnotismo.
 
Encontros e reencontros inesperados e quentes. (amizades com 20 anos. amigos que não via há 20 anos. Bons Sons.) Um livreiro incendiário que, além de uma nova gama de cigarros, nos apresentou a toda a sua corte. Reis e outras personagens. Ia e vinha. Aparecia e desaparecia.

{Hoje vou dormir cedo, ainda a rir-me da anedota em que se tornou a noite de ontem. A vida da minha turminha cruzou-se, numa pizzaria de rua, com a turminha dos "Les Saint Armand" e não podia ter corrido melhor. Uma piada que começou com o tamanho da pizza que escolheríamos - tamanho Rita Pereira. Uma piada que nunca mais parou. "Hold!"}

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Urgente


Desde que o mês começou que bebo café nas urgências do hospital em 5 minutos (onde depois almoço em 30). O Alentejo inteiro de férias, relaxado. (o Alentejo inteiro e eu pela metade).
Tirei o dia de amanhã para dançar na vila aqui ao lado.



{não me posso queixar, tenho tido dias cheios de trabalho e riso e tenho trabalhado com gente nova. gente leve. gente boa. o trabalho quase sabe a oceano e a brisa do mar. só não queria sentir-me sempre "de urgência".}


segunda-feira, 31 de julho de 2017

Oração

Segunda-feira e ainda estou em casa.
O mês de Julho chega hoje ao fim e pudesse eu esticá-lo... manter-me no sete.

Este mês conheci finalmente a Cristina. Partilhamos uma amizade, estivemos até no casamento dessa amizade, em Évora, há mais de 10 anos, então não nos conheciamos.
Enviei-lhe uma mensagem para vir jantar e veio. Vive em Arraiolos e é do Porto, claro. Um alentejano dificilmente aceitaria um convite assim. E que bom que foi e que bom que é, o inesperado.
Veio ainda a namorada do meu melhor amigo e o seu filho Mowgli, de 2 anos. Coloriu-me a casa e o coração.

Este mês, este mês. Leve, quente-quente. 
Quente.
Cheio de música boa. Marvão e Baltazar Molina, Carlos Barreto, Silvia Vitória, José e Luís Peixoto. O pôr-do-sol morno. A música quase como silêncio.
A Sílvia Pérez Cruz em Évora. A sensualidade vestida de mulher.
Esta mulher apimenta qualquer lugar, qualquer homem ou instrumento. É irresistivel, arrepiante o modo como hipnotiza o violoncelo e o violoncelista. Nunca tinha visto nada assim. 

Este mês, este mês. Recebi presentes. Quentes.
A ternura da Beatrix Potter e a Rita de lábios pintados de vermelho, 22 anos carregados de beleza pura, a apimentar, a aquecer o lugar onde trabalho. Foi a Roma e trouxe-me um coração. O riso e a juventude a colorir um lugar conhecido por ser cinzento.

A amiga que casou em Outubro, grávida de uma menina, mudou-se para a capital e escreveu-me uma carta. à mão. e ofereceu-me um livro que se lê de trás para a frente, porque nem tudo tem de ser óbvio. Ao inesperado e à esperança! - brindo. À Joana que navega no mesmo barco que eu, há 9 anos. Que mudou de cidade e que arrisca agora no estado de graça que é a maternidade.
Havemos de nos deitar com a tua menina ao colo, debaixo de uma árvore, só para ficar a ver o balançar das folhas. (partilhamos alguns pequenos prazeres)

Há uma ano preparava a ida a Nova Iorque, onde comprei este calendário "happiness is...". 
A penúltima viajem da Joana. Depois de Nova Iorque não voltei a vê-la ou a falar com ela. 
O meu casaco de Inverno também foi. No bolso ficou um bilhete de metro. Eu fui no Verão.

Este ano não tenho férias em Agosto, mas preparo ida a Timor. 
Apetecia-me Bali e um resort com ioga, mas na troca de emails com a amiga que vive em Timor, é claro que Dili será o destino. Não há spa ou ioga que se compare à presença de um amigo. Timor será o próximo destino de férias de Verão, no começo do Inverno. Com direito a um pulinho ao Cambodja.

Sinto que o P.S.1. desta mensagem se cumpriu. Este ano a Primavera não foi verde, mas este amigo andou de coração e alma, por aqui. A dezasSETE de SETEmbro de dois mil e dezasSETE o Alentejo receberá a sua prole. Será bom. Tudo é.



gosto tanto de todos os títulos de cada capítulo (pequenos prazeres)



(Rita Cruz)


quarta-feira, 12 de julho de 2017

Matiné





O contrato (de Peter Greenaway)

Combinei com uma amiga de um amigo aparecer no cinema em Évora, ontem à noite.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Pequenos prazeres

o meu maior "pequeno prazer"

[fui comprar uns óculos novos de natação - depois de ter passado o dia de ontem numa das minhas piscinas preferidas: Portagem com vista para o castelo de Marvão. Comprei ainda um relógio que mede os metros que nado, os passos que dou, os andares que subo e que trazia um aviso, qual maço de tabaco: "o uso prologando deste relógio pode provocar o cancro." pode matar, de acordo com um estudo da Califórnia. de acordo com uma norma, cujo número não me lembro. este aviso é obrigatório. agora uso-o com moderação, como quem fuma um cigarro de quando em quando. Em noites de luar fumo um cigarro partilhado com o silêncio dos melhores amigos que partiram. hoje usei o relógio, apesar da lua imensa que me inunda a sala, não fumei. comprei ainda um vestido de ténis, para o usar nas danças... vesti-o e vi-me logo em wimbledon 2017, ou em Évora 2017! Entre ténis e badminton, escolho badminton. Gosto tanto do vestido extra-curto de jogadora de ténis. Demasiado curto para as danças, mas dará - com calços curtos debaixo dele - para correr. E para jogar badminton.]