sábado, 1 de outubro de 2016

Ao espelho

Danny Lyon (o fotógrafo) nasceu em 1942.

 amigos de infância, nascemos em 1978

Vi esta exposição do Danny Lyon, no Whitney Museum of American Art.
Comprei um poster que reproduz "Darkroom Wall from Danny Lyon’s Studio", já está numa moldura, mas ainda não sei onde o pendurar.
Esta manhã fiquei a ver-lhe os detalhes. Gosto da imagem como um todo e gosto de cada imagem que o todo contém.
Fiquei apaixonada por cada fotografia dele. (Adorava conhece-lo pessoalmente)
Comprei uma máquina fotográfica elegante. Uma Lumix, gira a valer.
Fiz um curso de fotografia, com um Pedro-todo-paciência, aqui ao lado de casa.
Este curso salvou-me todos os finais de tarde, nas últimas duas semanas. 
A minha vida tinha abrandado, andava até a refazer o curriculo, para o enviar e tentar uma mudança radical.
(Há quem, para mudanças radicais, prefira cortar muito curto, o cabelo). 
Eu queria um curriculo simples, despojado. Uma imagem clean. E tempo.

Queria uma substituta duradora no meu local de trabalho, um ano sabático.
Nas últimas duas semanas fiquei sozinha, onde antes éramos três.
O lugar ficou mais leve (perdeu peso, perdi peso).
Mas saiu-me tudo trocado e, nem por isso, pior.
Fui mais eu.
A cada dia que passa, sou mais eu. 
Cada vez mais parecida comigo.
Hoje tirei-me uma fotografia.
Ao espelho.

domingo, 25 de setembro de 2016

Ao espelho



"E de repente, tudo mudou. Não, não foi de repente. Foi aos poucos. Foi indo, ficando longe, sendo de outro jeito. Talvez também não tenha sido tudo, mas só você, que foi deixando de ser você - você, no caso, sou eu - apesar do nome mantido e daquela amiga da vida toda. Mas não era esse o combinado, sair de si e começar de novo, e sempre, como uma boneca russa, uma dentro da outra?"

sábado, 17 de setembro de 2016

Oração

Era apenas um jantar de Primavera, junto ao mar, depois de uma semana prazeirosa.
Navalhas e eu lambuzada, num imenso deleite.
A vida soprava com cheiro a maresia. 
No restaurante dos "Filipes" estava o Mário Daniel, dos "números mágicos", a jantar com a sua mulher e uns amigos.
O restaurante fechou e ele fez-nos uma sessão privada de magia (ilusionismo).
Foi delirante. Eu não o conhecia.
Na coincidência deste encontro, fui escolhida para cobaia. Tive de tirar à sorte uma carta, do baralho, na qual escrevi o meu nome. Entre outras coisas, esta carta viajou pelo corpo do Mário, saindo das mãos da amiga com que eu estava, para a boca dele.
No fim, fiquei com a carta e guardei-a, por piada.

A vida continuou, com os números próprios da magia do dia-a-dia.

Faz hoje 8 anos que vivo no Alentejo. Coincidência a carta ser o número 8.
Por curiosidade fui ver o significado no tarot e descobri num site altamente duvidoso que, numa leitura de cartas, o 8 de espadas significa:

"Quando um 8 de Espadas surge numa leitura de tarot, sempre dependendo da sua posição na jogada e das demais cartas que o acompanham, bem como do assunto de interesse do consultante, pode significar bloqueios, obstáculos, aprisionamento, restrições, isolamento. Censura e auto-censura. Temer a liberdade pessoal. Pode simbolizar o fato do consultante ter erguido um muro que o separa dos seus sonhos. Um momento de crise. Obsessão. Desespero. Não conseguir livrar-se do confuso emaranhado de fatos em que a situação parece ter-se tornado. O consultante pode estar permitindo que outras pessoas interfiram, seja por inveja ou por trivialidades, no seu equilíbrio psíquico. Doença. Estar impossibilitado de deixar o leito ou locomover-se. Imobilidade. Preguiça. Insatisfação, muitas vezes injustificada, com conquistas obtidas no passado. Sentir-se abandonado pelos outros. 


É muito comum, pessoas que são alcoólatras, ou que tenham algum tipo de vício ou dependência, inclusive sexual, se considerarem banidas, párias sociais, indignas do convívio com o grupo. É exatamente esse o alerta que o 8 de Espadas faz: não se isole, nas se restrinja, não crie limitações, amarras, obstáculos, impedimentos ou desculpas. Peça ajuda. Estenda a mão e peça o auxílio de seu semelhante. Inúmeras são as associações, os grupos de terapia, os profissionais qualificados que podem remover essas falsas amarras que nos impomos. O grande problema enunciado por essa carta é a idéia de “pré-conceber” algo, ou seja, presumir que não conseguirá livrar-se, presumir que ninguém lhe dá atenção, presumir que todos lhe virarão as costas, presumir que está perdido sem um guia que possa ajudar. Companhia e contato humano são essenciais pois necessitamos de outras pessoas que possam nos apontar uma nova perspectiva para aquilo que chamamos de “meu problema”.

Quando, numa jogada, o 8 de Espadas sai bem localizado, ou bem dignificado, como se usa dizer, podemos perceber que o consultante está apto para viver a sua própria liberdade. Que o caminho à sua frente está menos acidentado. Que a sua forma de pensar está mais clara. Que há um súbito desaparecimento dos problemas que pareciam persistirem. Pode, sob determinadas circunstâncias, significar que o consultante apercebeu-se que estava se dedicando em demasia a algo ou a alguém que não valia o esforço, e está com um novo projeto de vida. Alegria, felicidade. Retorno ao convívio social. Comportamento mais liberal. As coisas se movem, caminham, ainda que muito trabalho e empenho pessoal sejam necessários. Significa, também, a solução de um problema pois o Consultante encontrou “a chave” do mistério. As recompensas ainda estão bastante distantes e ainda resta muito a caminhar, mas há uma sensação de que alguns obstáculos já foram ultrapassados e as pessoas, que poderiam estar impedindo o caminhar, afastam-se, abrindo passagem. O Consultante começa a olhar a vida sem ter “areia” para lhe embaçar a visão. Depois de muito quebrar a cabeça, de muito raciocinar, de muito pensar em busca de soluções, a mente parece clarear-se, iluminar-se. A verdade triunfa."

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Last Week

 Rota dos Faróis - Malpica

 de Nova Iorque para a Galiza
 mar bravo 
 saltar a vau 4 km de caminho 

Dupond et Dupont
 O percurso é tão bonito, quanto perigoso (e cheio de densos picos)
 praias onde é proibido nadar (desertas)
 chegar a Finisterra, ao fim de 8 dias
coração esculpido pela natureza





 67 anos, feitos num caminho com cheiro a mar, a marisco e a doce amizade


 Um Belga conversa com uma Espanhola (a única caminhante que encontrámos no caminho)
 Bela equipa, daquelas de enternecer o coração, com o meu pai a dizer de cor "If" de Rudyard kipling, na Capela da Virxe do Monte, ao pôr-de-sol de Camariñas

Pausa

Fui à Magnolia Bakery, provei um cupcake "Red Velvet Cheesecake", mas não fiquei fã.
Encontrei-a na Grand Central Station, sim. Ao meu lado um grupo de gente nova (sem abrigo) fazia o seu pic-nic. Em Nova Iorque não são os edificios que impressionam. São as pessoas.
Chegar ao aeroporto é já, em si mesmo, uma aventura. É entrar no filme da vida dos outros.
As conversas entre quem ali trabalha, o reencontro de famílias sul-americanas (é preciso ter lenços de papel) - Welcome to America! - dizia um enorme cartaz. E a família abraçou-se, algo contida.  Só as crianças soluçavam. O sonho americano e a imigração.
 "Rockefeller Center. (...) de lá vês o Empire."
Vi o Empire e assisti a um casamento.
 Memorial
Central Park (lago artificial)
 pausa para um café, no Whitney Museum of American Art
 Abraham Walkowitz - Isadora Ducan, c. 1910

No Whitney, ao espelho
 andar de ferry (tão bom!)
 e ver Manhatan
e a estátua da Liberdade
 High Line
 High Line (no fim do percurso)
High Line (em construção)



 Esteve sempre muito calor. Daquele calor "à filme", de corpos transpirados mal saem do banho.
No Bronx, a casa onde fiquei a dormir era muito velha e doce. Ali todos falam espanhol.
 A ventoinha e as janelas abertas. O jardim nas traseiras. E o barulho constante das sirenes. 
Venda de roupa usada, à porta de casa, no Bronx.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Previsão meteorológica

"Vá à Magnolia Bakery comer cupcakes. São muito bons. Há uma na Grand Central na cave junto aos restaurantes.
Vá também ao Empire State Building à noite. Vale a pena!
Há uma loja de roupa que vai gostar, chama-se Uniqlo. Não é cara e tem roupa diferente. Há várias nas Avenidas de Manhatan."